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Um ser inacabado, que perdura em medos, reflete esperanças, desagua em correntezas, mas renasce a cada dia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A Kátia ama, a Kátia encanta, a Kátia sorri, a Kátia Chora, a Kátia se decepciona, a Kátia sonha, a Kátia tenta de novo...


"...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda".


Clarice Lispector

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,

Simplificação do retrato imaginado de
Álvaro de Campos.
Esboço de Cristiano Sardinha
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.


Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos
(Heterônimo de Fernando Pessoa)